segunda-feira, 20 de abril de 2009

PARADIGMA 2


A CHUVA
Nos momentos de desespero, lágrimas abandonam nossa imensidão, na chuva paramos um pouco e percebemos o doce caminhar do mundo; na chuva vemos o desastre de existirmos, ela pode acontecer em qualquer hora, mas quando vem percebemos o quão magnífica e filosófica ela é, coisas quebradas são levadas, nossa falta de tempo é abandonada, aqueles que desejam correr escorregam nas verdades que deixam passar.
No dia mais nublado, vê-se de longe nuvens caminhando para um ciclo que ira se repetir, as dores e perdas parecem não mais significar grande coisa quando corre-se para tirar as roupas da área de serviço; ou então ela torna as perdas momentos dolorosos e fatais, em que cada gota de chuva exprime tempos que nunca poderão voltar, momentos perdidos dentre pétalas de rosas levadas pela força das águas violentas que abandonam os céus.
Nas noites em fim procura-se um modo de fazer o tempo passar, mas a chuva não deixa, pois o frio e a calmaria que surgem das águas temporárias leva-nos a mundos só nossos, onde o mar de sonhos é real.
Mas em meio ao murmurejar das gotas, há o grito dos céus, raios e trovoes, numa briga incessante pelo mar de algozes, almas que não passarão das ruas da vida, enfim os sonhos agora não servem de nada; no leito de um hospital sem energia uma senhora conta em seus últimos minutos os anseios de uma vida que ela sempre quis ter, sonhos que fazem no mais tardar da chuva da meia noite um velho coração pulsar, gotas inebriantes de águas de todo o mundo, que trazem em noites frias um sonhos diferente de amanhecer.
Nas águas que amenizam o calor dos desertos e sertões do mundo, os sonhos são trazidos por jangadas de murmúrio e pedidos de calmaria, um mar de sonhos para seres agonizantes e solitários, ou para almas positivas e que buscam do mundo o melhor.
A chuva trás consigo momentos únicos de reparação ou de destruição, mas é só em meio a chuva que os sonhos tem um sentido de um novo tempo, sem mar de lagrimas ou machucar e feridas, enquanto a chuva existir haverá esperança ate mesmo no ultimo moicano, e o fim do mundo na será enfim um fim, já que é na chuva forte e arrasadora que descobrimos o melhor de nós, quando paramos pela chuva, percebemos como o mundo nos leva para um calmo e interessante caminho.
Sem a chuva não haverá raios de luz escapando dentre as nuvens, não haverá anseios de novos momentos únicos e talvez nunca perceberíamos quanto bonita ela é, e pode nos levar por uma infinidade de anseios e tempos perigosos, mas que sempre tornarão a chuva tão simples e enigmática afim de fazer mortais admirarem sua infinita e profunda filosofia, em meio a um mar de sonhos.

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